HALLOWEEN ESPECIAL: LOBISOMEM BRASILEIRO E SUAS CARACTERÍSTICAS ÚNICAS! ESQUEÇA BALA DE PRATA E LUA CHEIA!

LOBISOMENS LATINO-AMERICANO E IBERO SÃO UM BOCADINHO DIFERENTES DA VERSÃO NÓRDICA HOLLYWOODIANA! E, TALVEZ, OUTRAS CRIATURAS FOLCLÓRICAS ESTEJAM RELACIONADAS.  VENHA CONHECER (SE TIVER CORAGEM) A LENDA DOS SÉTIMOS FILHOS FADADOS A ”MALDIÇÃO DOS CORREDORES NOTURNOS”!

lobisomem americano em londres pequeno

                         LOBISOMEM BRASILEIRO A FRENTE!!! AVISO IMPORTANTÍSSIMO!!!

ATENÇÃO: ESTA MATÉRIA VISA CONTAR CURIOSIDADES A RESPEITO DE MITOLOGIA E RESGATAR UM POUCO DA MEMÓRIA DO NOSSO FOLCLORE LOCAL! O OBJETIVO AQUI É ENTRETER. NÃO ASSUSTAR E, MUITO MENOS, FAZER APOLOGIA A CRENDICES COM A INTENÇÃO DE CRIAR POLÊMICAS!

PORTANTO: SE VOCÊ É UMA PESSOA COM MENOS DE 16 ANOS, E IMPRESSIONÁVEL, RECOMENDO NÃO LER ESSE TEXTO E MUITO MENOS VER A MAIORIA DOS VIDEOS AQUI APRESENTADOS!

OUTRA COISA: EU RESPEITO O FOLCLORE DO MEU PAÍS E DESEJO COMPARTILHAR ESSAS INFORMAÇÕES AQUI, COMO EXERCÍCIO DE IMAGINAÇÃO. PRINCIPALMENTE PARA DESENVOLVEDORES DE GAMES, ANIMADORES, ROTEIRISTAS, QUADRINHISTAS E CINEASTAS! ACHO QUE NOSSO FOLCLORE E MITOLOGIA LOCAL MERECEM ISTO E ESTOU CANSADO DE ESCUTAR QUE ”NÃO TEMOS ASSUNTO PRA ABORDAR NA ÁREA DA FICÇÃO E TERROR”. LEDO ENGANO. PORÉM, UM OUTRO ENGANO FORTE, É VER UM MONTE DE ”FOLCLORISTAS” NACIONALISTAS DE MEIA PATACA PROFESSANDO A IDEIA DE QUE AS NOSSAS CRIANÇAS DEVERIAM ”VER MENOS A CULTURA ESTRANGEIRA E SE FOCAR EM MONTEIRO LOBATO”. EU DIGO PRA TODO MUNDO UM SONORO ”NÃO”!!! E O MOTIVO DISTO É QUE:

A) O folclore brasileiro (como o de qualquer parte do mundo) surgiu através da MISTURA da cultura de OUTROS povos que vieram para cá. E muitos elementos são de origem europeia, africana, asiática e por aqui se fundiram com a mitologia indígena da qual POUCOS sabem realmente do que se trata. Então, querer proibir que nossas crianças assistam filmes de terror ou fantasia vindos dos EUA e Japão é suicídio cultural disfarçado de ”orgulho nacional”. Seja PATRIOTA, não seja NACIONALISTA! Tenha ORGULHO no ato de ser cidadão brasileiro DE FATO. NÃO pregue para nossas crianças que gostar do nosso folclore é uma ”obrigação” ou que somente o que é ”produzido aqui” é o que vale. Pois, além de ser besteira mentirosa, é a mesma coisa que empurrar essas crianças pro caminho contrário. Você acabará AFASTANDO as crianças do nosso folclore.

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O que me deixa mais fulo de raiva, é que os radicais nacionalistas pseudo-intelectuais (que parecem fumar do caximbo do Saci) chegaram ao ponto de querer mudar o nome do ”Dia das Bruxas”, aqui no Brasil, para ”O Dia do Saci”. Nada contra o Saci, que, na realidade, é um dos monstros mais perigosos do folclore da América do Sul. Não tem nada daquelas baboseiras que Monteiro Lobato e Ziraldo inventaram pra esse personagem. O que incomoda é que ”BRUXA” (a versão folclórica) é um tipo de criatura que existe no mundo INTEIRO. NÃO se trata de um termo exclusivo dos EUA. E, pior, JÁ TEMOS UMA BRUXA VERSÃO LOCAL: A MATINTA PEREIRA!!! Então, porque diacho esses caras não conseguem nem fazer o trabalho direito quando vão fazer porcaria?

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B) Monteiro Lobato infantilizou o nosso folclore! Repito: Lobato tornou o nosso folclore em algo ”infantiloide” e não infantil. Ele massacrou nossas lendas muito mais do que salvou a memória popular do nosso país. NÃO respeitou a inteligência das crianças e dificultou a possibilidade delas de se identificarem com as criaturas de nossa mitologia. Mas, as escolas EMPURRARAM a literatura enviesada de Monteiro Lobato goela abaixo de gerações de moleques que passaram a pensar que nossa cultura só tem uma ”bruxa com cara de jacaré e um negrinho perneta fumador de crack” pra nos oferecer. ISSO É DE LASCAR! Tornou nosso folclore ”popular” por um lado… mas, bobo e motivo de piada por outro. A falta de interesse REAL de jovens brasileiros em relação aos nossos personagens é a visível reação a isto.

E, esclarecendo: NADA CONTRA O ”SÍTIO DO PICA-PAU AMARELO”! ADORO A EMÍLIA, QUE É A PERSONAGEM FEMININA BRASILEIRA MAIS LEGAL DA NOSSA CULTURA POP, AO LADO DA MÔNICA.  😉

Portanto, aproveitem o meu texto idiota e se divirtam: a intenção é entreter! 😉 E feliz Dia das Bruxas (ou do Saci, segundo os nacionalistas desinformados!) pra vocês.

lobisomem fantasia criança

 

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UM ”RÁPIDO RESUMO” A RESPEITO DAS RAÍZES DA LENDA DO LOBISOMEM PELO MUNDO ANTIGO:

Sei que alguns de vocês vão dizer que ”já sabem disso tudo”… mas MUITA GENTE NÃO SABE e precisa entender do que se tratam os lobisomens mitológicos:

MAS, CASO JÁ ESTEJAM CANSADOS DE LER MATÉRIAS FALANDO SOBRE LOBISOMENS GREGOS E EUROPEUS… PASSEM PARA A PARTE DA MATÉRIA QUE REALMENTE INTERESSA E DÁ O TÍTULO! 😉

Os seres metade humanos e metade animais, sejam eles entidades sinistras, deuses antigos ou magos metamorfos, existem, em relatos, desde quase toda a existência de nossa raça. Através da oralidade ou de registros mitológicos, ou religiosos, os homens-lobo, homens-felinos, homens-répteis são encontrados em todas as culturas. Levando em conta, claro, quais espécies de animais são mais abundantes (ou temidos) por este ou aquele povo. Seja nas aventuras de Gilgamesh ou em literatura grega, sempre existem textos que dedicam algum espaço para criaturas que se tornam feras quiméricas ou humanos que foram abençoados (ou amaldiçoados) com habilidades e\ou aparência de animais!

Enkidu

Enkidu

Mesmo na época atual, considerada uma era ”mais esclarecida”, as antigas lendas de homens-animais ou quimeras, são absorvidas ou adaptadas para uma mitologia e cultura mais ”modernas” : o que era um lobisomem, fruto de magia negra ou castigo divino, agora é uma mutação adquirida por um vírus, criado em laboratório ou área remota (estilo Blanka ou o Mutano da DC). Ou uma pessoa transformada através de uma radical terapia genética (estilo ”Ilha o Dr. Moreau”) e enxertos, com a intenção de torná-lo uma arma militar.

Blanka mostrando seu orgulho de ser brasileiro.

Homens-Animais da versão para cinema de 1977.

Homens-Animais da versão para cinema de 1977.

Ou até mesmo uma espécie de servo\batedor de seres alienígenas, que os ”crédulos” chamavam de ”Pé-grande” ou ”Chupa-Cabras”. Não importa: híbridos animais sempre existiram e sempre existirão em nosso imaginário. O mistério de sua origem é a parte divertida da qual nos encarregamos de passar de geração em geração, mudando detalhes, feito telefone sem fio. E a internet é uma ferramenta muito eficaz nisso!

Um dos primeiros relatos escritos a respeito de lobisomens (ou algo semelhante), que chegaram até nós, foi o caso do rei Likaon:

*REI LYCAON; O LUTADOR DAMARCOS E A ORIGEM DO TERMO LICANTROPIA:

lobisomem lycaon

Licaon era um rei arcadiano que foi amaldiçoado, juntamente com seus descendentes e alguns súditos, a se transformar em lobo (ou algo entre lobo e homem) por ter cometido um crime terrível: ofereceu um banquete luxuoso, como oferenda ao deus Zeus, composto por carne humana. Além de ter sido algo bem macabro por si só, o jantar canibal ofendia um deus por outros dois motivos! Primeiro… tentou enganar um hóspede. Segundo, e mais importante, existem versões que contam que a vítima do crime era, na verdade, um dos filhos bastardos do vingativo Zeus! Licaon não sabia disso, mas aprendeu da pior forma possível. E, por conta de seu nome, a ”Maldição de Licaon” foi chamada de ”licantropia”. Termo usado tanto para designar o mal que acomete essas pessoas na mitologia e ficção, quanto é utilizado pelos psiquiatras para explicar que essa doença nada mais é que um profundo delírio que faz certas pessoas acreditarem que são lobisomens.

E se engana se acha que Licaon foi o único ilustre lobisomem da mitologia grega:

Damarco de Parrásia (em Arcádia), pugilista grego, teria sido transformado em lobo\lobisomem também. Herói atleta, as versões de sua transformação divergem em alguns detalhes: alguns relatam que ele NUNCA teria voltado a forma humana. Mas, na maioria das versões, ele permaneceu na forma de animal entre 7 a 10 anos. As causas de sua maldição também variam: Zeus teria transformado Damarcos como o pagamento de um pacto feito com ele, em troca de uma vitória difícil no boxe grego. Todavia, a causa provável, seria que Damarco foi aquele que se alimentou de carne humana (do filho de Zeus, talvez). No caso do herói, teria sido dito que se passasse 10 anos (ou 9 ou 7, dependendo da versão) na forma de lobo SEM comer carne humana, seria perdoado de seu castigo por cometer canibalismo e atentado contra a descendência de um deus.

Não se enganem, porém: o termo ‘’licantropia’’ pode até ter ‘’nascido’’ do registro da moléstia de Lycaon, mas a palavra ‘’lobo’’ já era bem ligada aos deuses gregos e suas contrapartes romanas! Zeus era conhecido como ‘’Jupiter Liceu’’ (‘’Júpiter, o lobo’’) pelos arcadianos. A própria entidade menor, o deus Pan, era chamado de ‘’Luperco’’ e este era homenageado pelas ‘’lupercaes’’, as festas de Fevereiro. E não vou nem me aprofundar no assunto dos irmãos Rômulo e Remo, fundadores de Roma, que foram amamentados por uma loba! 😉

Provavelmente, foi o Império Romano (que absorvia a cultura dos povos vencidos com uma dinâmica e falível forma de sincretismo automático), que entrando em contato com povos tão diversos, na África e Ásia, espalhou a lenda de várias criaturas (incluindo o lobisomem) por todos os cantos.

Destaco aqui um conto envolvendo o personagem Niceros, que relatou o seguinte ocorrido em uma conversa (durante uma festa):

Necessitando ir até Capua, Niceros convidou um soldado, velho amigo dele, para lhe fazer companhia e proteção. Era noite de lua e Niceros acabou se deparando com um segredo tenebroso do colega: Atravessando um cemitério, o soldado conjurou as estrelas, despiu-se, pôs urina nas roupas e tornou-se lobo, uivando e correndo pelo mato. Niceros não conseguiu sequer recolher as roupas do companheiro, porque estas haviam tomado a forma de pedras ou algo do tipo. Atemorizado, fugiu para casa de Melissa de Tarento.

 Ao chegar lá, Melissa lhe contou sobre o ataque de um grande lobo ao local e um combate se seguira, para abater o monstro. Por fim, o animal foi ferido gravemente no pescoço e fugiu. No outro dia, Niceros encontrou o amigo soldado sendo tratado por um médico: tinha um profundo ferimento na nuca. Ele era um ‘’Versipelio’’, nome dado para o lobisomem, na época dos romanos.

O lobisomem ganhou tremenda força na Europa e surgiram variações regionais. O cristianismo católico romano registrou e perseguiu centenas de casos de licantropia e associou tal fenômeno a bruxaria e\ou ao satanismo. Mas, embora mais raros, existem relatos de santos católicos que punem aqueles que pecaram ou abusaram de seu poder, transformando-os em animais, como nas lendas gregas.

lobisomem ataca ilustração

Vários ”assassinos seriais” (ou, pelo menos, pessoas acusadas de assassinato em massa, com requintes de crueldade) do período medieval, tiveram julgamentos tais quais as mulheres que praticavam bruxaria. Muitos desses suspeitos de crimes horrendos, em meados do século XVIII e XIX, até usaram esse ”álibi”  de não saberem o que estavam fazendo, quando ”transformados em lobisomens”. Isso somente para serem declarados como loucos e escaparem  da pena de morte. Alguns desses casos, não estavam tão longe da realidade: o número de estupros e latrocínios de adolescentes e crianças, nas florestas e bosques da Europa, era algo tão corriqueiro que, infelizmente, tirava o sono dos pais. Que temiam que seus pequenos fossem brincar ou fazer travessias por esses cantos. Somado aos ataques e avistamentos de lobos ferozes, não foi difícil unir um ”monstro humano ao monstro selvagem”.

lobo e garota Gustave+Dore

Só para se ter uma ideia, os chamados ”Contos de Fada” eram histórias para assombrar as crianças e passar para elas uma lição de moral, através do medo, que era uma forma mais garantida e rápida de ser fixada na mente delas. Lendas como ”Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau”, eram MUITO MAIS pesadas do que a versão Disney e não passa de um típico conto de lobisomens e estupro.

Veja abaixo o relato de um caso verdadeiro de um assassino acusado de ser um lobisomem e que se aproveitava disso:

A HISTÓRIA DE ROMASANTA, JULGADO E DECLARADO COMO ‘’LOBISOMEM’’ NA ESPANHA, NO SÉCULO 19: Espetacularmente narrado por Rusmea.

Mas, será que os lobisomens não passavam de um serial killers medievais? Ou será que não se tratava de uma fera a solta? Bem, temos um outro caso verdadeiro que deixa todo mundo perplexo até hoje:

lobisomem fera de Gevaudan

A BESTA DE GÉVAUDAN:

Medonho, não é? Todas as teorias a respeito da Besta de Gevaudan foram unidas, com muito kung fu e ficção, no espetacular filme ”Pacto dos Lobos”. Recomendo!

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MAS, A NOSSA INTENÇÃO MAIOR É RELATAR O LOBISOMEM BRASILEIRO. AS INFORMAÇÕES ACIMA FORAM APENAS PARA SITUAR O LEITOR EM RELAÇÃO AO BÁSICO. PORTANTO, VAMOS PARTIR PARA O QUE INTERESSA…

* O LOBISOMEM DA EUROPA IBÉRICA APORTA NA AMÉRICA DO SUL:

Bem… preparados para descobrir o quanto o NOSSO lobisomem latino é muito mais grotesco e interessante que a versão que estamos acostumados a ver em filmes hollywoodianos?

 

lobisomem-quadrupede

-SÉTIMOS FILHOS E FILHAS

Não se tem uma explicação definitiva de COMO a maldição começa. São várias versões. E todas essas versões serão mostradas ao longo desta matéria. O que se tem por certo é que se trata de um SEXTO; OU SÉTIMO; OU OITAVO FILHO OU FILHA. Nascidos após uma sequência (ou NÃO) de filhos de mesmo sexo. Mas, para começo de conversa, vamos falar das relações que existem entre as várias criaturas e as sequências de filhos(as):

1-Se nasceram 6 filhas e, depois, nasce um sétimo filho homem, este será um lobisomem aos 13 anos de idade.

lobisomem-nogueira-coronel-e-o-lobisomem

2-Se nasceram 6 filhos e, depois, nasce um sétimo filho de sexo feminino, esta garota será uma mula-sem-cabeça ou uma ”Pata” (uma harpia) quando adolescente ou adulta. Provavelmente quando tiver relações íntimas com um sacerdote ou compadre ou com seu próprio padrinho de batismo. A maioria das lendas dão por certo que NÃO existem ”lobisomens femininas”. As fêmeas são Mulas-sem-cabeça ou algum tipo de bruxas metamorfas. Mas, ainda assim, facilmente confundidas com ”lobisomens fêmeas”.

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3-Se a sétima filha, aos 7 anos de idade, se transformar durante a madrugada em uma (ou várias) borboleta ou mariposa, este é o sinal que ela é uma bruxa ou uma Matinta-Pereira. Quando mais velha, provavelmente escolherá um ”familiar” (animal ou criatura demoníaca). E irá sugar o sangue de bebês não batizados na madrugada. Através do umbigo do recém-nascido, ela sorve o sangue através de sua língua que se torna fina como uma linha de costura. A criança irá adoecer e pode vir a morrer. Correspondendo a doença que atinge bebês chamada ”mal dos 7 dias”.

4-Se o sétimo filho, aos 7 anos de idade, começar a se transformar em animais, ele se torna um TARDO. Do qual também comentaremos mais abaixo.

5-Dizem que se forem todos os 7 filhos homens, o sétimo provavelmente será um mago ou feiticeiro. Se forem todas as sete filhas mulheres, então, a sétima será uma feiticeira ou bruxa. O sétimo filho (ou filha) de um sétimo filho (ou filha) poderá ser um mago ou feiticeiro ou bruxa de grande poder. Que deverá decidir COMO usar seu poder. Seja ele pro bem ou para o mal. Geralmente, os que escolhem usá-lo para o bem se tornam caçadores das outras raças de criaturas citadas nesta matéria.

6-O amaldiçoado teria seu destino, de se transformar em um tipo de criatura ou em outra, definido por conta de uma sequência misturada de seis irmãos e irmãs. Ou seja, em alguns lugares, é dito que ”o sujeito ter nascido depois de 6 irmãos, sendo que 3 são homens e 3 são mulheres” ou ”4 eram mulheres e 2 eram homens” significaria que o sétimo é um feiticeiro ou bruxa. Etc. Não vamos nos perder nessas minúcias e variantes.

7-Nem todos os sétimos filhos são ”ruins” ou ”amaldiçoados”. Depende muito de qual cultura\folclore estamos nos referindo. Ser o sétimo filho em muitas culturas do mundo significa ser um potencial ser iluminado. Inteligente. Com poderes paranormais ou bentos. Ou, simplesmente, uma pessoa bem afortunada na vida.

Para evitar que o sétimo filho ou filha se torne amaldiçoado, os pais costumam fazer com que a criança seja batizada de ”Adão” ou ”Eva”. E o filho ou filha primogênitos se tornem os padrinhos ou madrinhas dos irmãos caçulas.

Desde 1907, na Argentina, é costume de qualquer família pedir o apadrinhamento de seu sétimo filho ao presidente da República José Figueroa Alcorta. O costume teve início desde que o casal de imigrantes russos Enrique Brost e Apolonia Holmann pediram tal favor. E que isto era comum em seu país de origem. Em 1973 isso foi transformado lei (número 20.843) pelo presidente Perón. Em 2008, a presidente Cristina Kirchner renovou a lei, garantido o mesmo direito as sétimas filhas.

CURIOSIDADE: Em alguns lugares do mundo, até mesmo ANIMAIS podem se tornar criaturas mágicas ou monstros, caso sejam os sétimos filhotes de uma mesma fêmea. Isso ocorreria pelo progenitor ser de natureza sobrenatural também ou por um espírito antigo escolher o filhote como sua nova encarnação.

-APARÊNCIA:

lobisomem-ataca-na-escuridao-do-mato

Deixem de lado a ideia de que lobisomens são caras novinhos e malhados que se transformam em seres lupinos igualmente malhados e com músculos bem definidos. NADA de lobisomem bípede e com uma ”bela pelugem uniforme”. Essa visão do lobisomem é muito recente e ”bonitinha”, se comparada as lendas antigas. Isso é coisa do cinema de Hollywood e revistas em quadrinhos, que tornaram quase ”interessante” a ideia de ser um lupino. O nosso lobisomem tem nada de ”fofo”, sensual ou atraente. Ele é grotesco… assustador. Como bem os habitantes do Brasil inteiro relataram e descreveram ao nosso maior folclorista, Luís da Câmara Cascudo, na primeira metade do século XX.

 

lobisomem-no-terreiro

Essa versão que foi catalogada por Câmara Cascudo se repete por todo o Brasil: orelhas longuíssimas que batem uma nas outra feito um chocalho ou um bater de palmas. Cascos ou garras. Olhos amarelados ou vermelhos, brilhantes na escuridão como se fossem brasas.A criatura pode se parecer com um porco, um cavalo, um jumento, um cachorro ou até um bezerro ou bode. Geralmente sem cauda.Todas as testemunhas congelam diante do monstro. E quanto mais essas pessoas tentam racionalizar, entender e descrever COMO o bicho é ou se assemelha… parece que a descrição escapa de quem tenta. Quando percebe, a testemunha acaba descrevendo uma quimera grega, de tantos animais misturados que são citados para se criar uma base de comparação. É fácil enlouquecer ao tentar dizer do que se trata!
A monstruosidade quase nunca uiva, fazendo um som que mais parece uma mistura de grunhido e roncar de porco, variando para um relincho. Sou paraense e fui criado no Ceará… posso te garantir que tanto no Norte quanto no Nordeste, portanto, temem a mesma lenda. E esta lenda, com os padrões que compilei abaixo, estão presentes em todo o território nacional.

”Mas… COMO ele pode se parecer ”tão pouco” com um lobo ou cachorro? POR QUÊ o lobisomem da nossa cultura é tão diferente?” Bem, prepare-se para descobrir…

lobisomem-porco

-A QUIMERA

O nome dado para o ”lobisomem brasileiro” é um tanto incorreto. Pois a criatura de nosso folclore NÃO é necessariamente um híbrido de homem e lobo. Para ser honesto, nem sequer é um híbrido entre um humano e um ser ESPECÍFICO. Ele é uma QUIMERA! Uma mistura de humano com um ou vários animais. Ou seja, ele NÃO é sempre um licantropo e sim um ZOOMORFO!

A explicação disto, segundo a lenda, é que o amaldiçoado, seja por nascença ou pacto maligno, deve sempre se deitar num local onde se despojou um animal anteriormente. Seja um lobo, cachorro, porco, jumento, burro, mula, cavalo, macaco, bode ou até um bezerro. Se necessário, o amaldiçoado irá até mesmo EMPURRAR um animal que estava deitado para assumir o seu lugar. Quando isso ocorre, principalmente em pastos ou encruzilhadas, a criatura começa a se transformar, após absorver o ”calor do animal” que ainda estava lá. Ou, como dita a explicação atualizada\moderna da lenda: absorvendo o DNA deixado no local, na forma dos pelos caídos. Suas garras, presas e focinho crescem. Pelos se espalham pelo seu corpo de forma irregular. Seu corpo fica largo e se torna quadrupede na maior parte do tempo, arrastando a barriga no chão. Seus membros são desproporcionais.

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Algumas vezes as patas traseiras ficam enormes como cangurus. Em outras situações, seus braços se tornam compridos como os de um gorila. Suas orelhas podem ficar enormes e pesadas, fazendo barulho ao se chocarem enquanto anda. Ou quando sacodem a cabeça.

OBS: Não é comum relatos de ”lobisomens” que se tornam meio humanos e meio bovinos. Principalmente touros. O motivo especulado é porque a figura do touro é vista como sagrada na cultura popular. Representa poder e autoridades divinas. Na mitologia, os chifres do touro tem essa conotação também. Sendo assim, o lobisomem não tem direito e nem poder sobre o boi\touro. Não podendo roubar a sua força. O Bumba-meu-Boi\Boi-Bumba talvez seja a confirmação dessa teoria.

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Mas, as vezes a transformação NÃO ocorre como deveria. Assim, não é raro escutar relatos de lobisomens que possuem a PELE VIRADA DO AVESSO. Da mesma forma, caso MUITOS animais tenham se deitado naquele mesmo lugar, o ”lobisomem” irá se tornar uma aberração! Uma quimera composta por vários animais diferentes. E, durante a madrugada, a transformação continua a ocorrer de forma dolorosa. As partes de vários animais começam a crescer de forma desordenada em seu organismo, inclusive no seu interior, como se fosse um monte de tumores. Membros extras NÃO funcionais surgem e caem. E ele começa a vomitar pedaços de outros animais pelo caminho. Tornando o monstro bem parecido com as criaturas Biohazards (infectadas pelos vírus) da franquia de jogos de horror ”Resident Evil”.

Videos, muito interessantes, de Lobisomens (teorias e relatos recontados) pelo casal Matheus e Ana do site Assombrados.com.br:

A própria Ana conta o relato do encontro do avô dela com um lobisomem que bate com as mesmas descrições física da criatura que apareceu em todos os registros e casos pelo Brasil:

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CURIOSO, NÃO? Pois, saiba que existe, nas FILIPINAS, uma lenda de uma criatura que se assemelha DEMAIS ao nosso lobisomem: SIGBIN AMAMAYONG. Se trata de um monstro (não se sabe se é um humano que se transforma) com um cabeça com características de bode (sem chifres), ou corvo ou canguru. Suas orelhas também são enormes e ”batem palmas”, como se fossem mãos de couro. Possui pelugem de padrão bizarro. Seus membros são desproporcionais também. Costuma caminhar com a cabeça entre suas pernas longas. A única diferença física é que os sigbins possuem um enorme cauda preênsil e, as vezes aparentam andar de costas, feito os curupiras.

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Ele caça crianças não batizadas no período da quaresma também. A intenção é arrancar o coração dos pequeninos e entregar para seus mestres. Estes ”mestres”seriam membros de uma raça de famílias de feiticeiros chamados sigbnan (”possuidores de sigbins”) que fazem uma espécie de amuleto com o coração roubado. As vampiras Aswang teriam esse ser como um dos seus ”familiares”, ao lado da ave fantástica WakWak. Como os filipinos sofreram colonização e influência da Espanha, é possível que exista relação entre o nosso lobisomem e os sigbins.

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-A TRANSFORMAÇÃO:

Também costuma variar muito nos detalhes. O homem fadado a se tornar o lobisomem irá se transformar simplesmente com o cair da noite. A partir dos 13 anos. Seu instinto o levará a se afastar e procurar um terreno baldio, encruzilhada, pasto ou terreno dos fundos de uma igreja. Vai se despir e rolar no chão onde tenha se despojado um animal. Não importa qual seja. Dando 3 a 7 voltas sem mal sair do lugar, ocorre a transformação. Geralmente dolorosa. Mas, alguns relatos falam que, com o tempo, a transformação ocorre como num passe ”de mágica” e o humano simplesmente dá lugar ao monstro. Em seguida, automaticamente, a criatura começa a correr muito velozmente. Só voltando ao normal por volta das 3:30 da manhã.

Abaixo, a MELHOR (e mais fiel a lenda) transformação de um homem em lobisomem mostrada no cinema: : SEM efeitos por computador. TUDO na base da maquiagem, animatronics e stop-motion. Não recomendado para menores de 16 anos.

Essa transformação clássica inspirou o Lobisomem cigano de ‘’Hemlock Grove’’: veja o trailer abaixo que mostra uma combinação perfeita de efeitos práticos e CG…

A noite em que ocorre a mutação é incerta como a lenda: o lobisomem brasileiro NÃO se transforma só nas luas cheias. Alguns relatos falam das madrugadas de quinta para sexta ou de sexta para sábado. Mas, também existem situações que falam de madrugadas de terças e quintas. Ou de segundas, quartas e sextas. O período inteiro da quaresma também é relatado como sendo certeiro de aparição destes seres. E que, se o sujeito NÃO se livrar de sua maldição o mais rápido possível, ele passaria a se transformar em quase todas as noites. Até deixar de ser humano. Existem até modalidades diferentes de relatos que dão por certo o testemunho de lobisomens andando em plena 6 da tarde, em meio a plantações.

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Lobisomens surgidos de pactos demoníacos costumam passar por rituais mais complexos. É comum que, ao se despirem, amarrem suas roupas com sete nós e urinem nelas (ou fazendo um circulo ao seu redor). As roupas ficariam ”invisíveis” ou se tornariam pedra sólida com esse sortilégio. Isso garante com que ninguém venha a tocar e roubar suas vestimentas. O que dificultaria a volta a forma humana e não ter seus trajes disponíveis.

Como ”virar lobisomem”, segundo algumas versões e causos contados por nossos mais velhos:

-CORREDORES NOTURNOS

O lobisomem, a Mula-sem-Cabeça, e outras criaturas que serão citadas aqui na matéria, costumam ser chamados de ”corredores noturnos”. Pois seria de mau agouro citar seus ”nomes corretos”. E esse termo traduz a natureza de suas maldições: a maioria dessas criaturas são pessoas amaldiçoadas por nascimento ou porque fizeram pactos horríveis. Para se livrarem desta sina, precisam fazer o seguinte ritual…

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-Correr 7 ”freguesias” de 7 municípios diferentes, no período entre a hora da transformação (que pode variar a partir do cair da noite) até as 3 ou 3:30 da madrugada. Ou quando escutar o canto do galo, que é um ”animal diurno e anunciador do amanhecer”. Portando, inimigo ”solar” do lobisomem.

-As ”freguesias” seriam pontos onde o lobisomem deve passar e dar 7 voltas ao seu redor. Geralmente são encruzilhadas, igrejas ou lugares sagrados. A cada freguesia alcançada, a maldição perderia força, tornando possível voltar ao normal. Mas, segundo algumas versões, a criatura pode ser obra de um pacto e, portanto, o que o lobisomem deseja é pagar ”sua parte” com o demônio. Se fortalecendo a cada freguesia ao invés de desejar retornar. Neste caso, suas freguesias seriam terreiros de magia negra e cemitérios.

-Após terminar sua corrida, o monstro deverá retornar ao ponto onde começou.

-Dizem que, se o lobisomem conseguir correr, em uma só madrugada, o equivalente a 7 igrejas, 7 cemitérios, 7 pastos, 7 encruzilhadas e outras 7 freguesias (acumulando 777 ou 7777777), ele poderia se curar da sua maldição Mas, isso teria de ser feito em meio um período de 7 anos, a partir do dia em que se transformou pela primeira vez. Não se sabe se lobisomens que fizeram pactos realmente se curam com esse ritual completado. Geralmente, isso é muito raro. ”É sete pra caramba, meu irmão!!!”

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Lobisomens brasileiros\latinos não costumam ser muito agressivos: eles apenas desejam ”correr seu fado” e completar sua jornada assombrada. Voltando ao normal em seguida. Eles não teriam o total controle de suas ações, mas fariam de tudo para NÃO machucar intencionalmente pessoas inocentes. Porém, se um humano surgir em sua frente, enquanto está galopando, pode significar um terrível incidente. Por um outro lado, lobisomens malignos que fizeram pactos costumam atacar intencionalmente pessoas indefesas. Mulheres, crianças não batizadas, e idosos são seus alvos mais comuns. Filhotes de animais também costumam ser parcialmente devorados ou terem seu sangue sorvido.

Lobisomem ilustrado por Rodrigo Rosa.

Lobisomem ilustrado por Rodrigo Rosa.

Talvez esses ataques sejam parte do pacto que fizeram. Mas, também existe a versão de que os lobisomens querem matar crianças recém-nascidas porque esses monstros SENTEM que aquela família NÃO terá uma sequência de filhos que proporcionará o nascimento perfeito de 6 filhos do mesmo sexo e um sétimo de sexo oposto. Matando o bebê, isso ”obrigaria” ao casal tentar novos filhos que sairiam na sequência que ”agrada aos amaldiçoados”, pois é assim que se multiplicam. Uma versão ainda mais interessante afirma que os lobisomens sentem e atacam bebês que estão destinados a serem pessoas de bem, profetas, cientistas e até futuros caçadores de quimeras.

Já pelo lado metafórico, lobisomens atacam idosos para que a humanidade NÃO tenha contato com o passado. E atacam crianças para que a humanidade NÃO tenha futuro. Sem passado e sem futuro, estaríamos condenados e extintos.

Relatos de Lobisomens por gente que diz ter vasto conhecimento do assunto:
O interessante depoimento do simpático senhor Bugun:

Como dito no video cima, parece que os lobisomens envolvidos em pactos demoníacos tem de, além de correr o fado, também realizar certas coisas bizarras, enquanto estão transformados: é comum relatos de monstros invadindo galinheiros e lixões para rolar na sujeira e até lamber ”porcarias de bichos”.

O que eu achei mais curioso, no vídeo acima, foi a babaquice do Ufólogo, menosprezando o testemunho dos civis e do próprio termo ‘’folclore’’, afirmando que ‘’só trabalha com provas e fatos’’. Mas… não demorou pra afirmar que era ‘’uma óbvia aparição de organismos alienígenas’’. Heehehe. Hipocrisia é de lascar. ‘’Pimenta no Lobisomem dos outros é refresco, mas, nos nossos aliens, arde pra caramba, né?’’. 😛

Antigamente, em Portugal, era dito que os postes de iluminação pública nas estradas (quando estes eram lâmpadas a gás ou óleo) inibiam a aparição de lobisomens. O motivo é que eles sempre evitam transitar em lugares iluminados e o contato com humanos. Porém, quando é necessário, as criaturas chegavam a escalar rapidamente tais postes, como se fossem macacos. E assopravam as lamparinas, apagando o fogo. Os desafortunados que olhassem pelas janelas, durante a madrugada, corriam o risco de ver as luzes se apagando uma por uma. E o olhar atento testemunhava, horrorizado, um focinho grotesco surgir de vislumbre e assoprar as luzes como se fossem velas de bolo de aniversário.

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E pode ter a absoluta certeza de uma coisa: Esses monstros são MUITO RÁPIDOS! Fazem corridas de quilômetros em poucos minutos. E vencem distâncias e alturas enormes com um simples salto. Não importa que forma o lobisomem assuma após se deitar no solo onde animais se despojaram. Por mais deformado que seja, a aberração consegue ser ágil e saltar.

CURIOSIDADE: Recentemente soube de um relato no Youtube que teria sido enviado por um senhor de 96 anos, que prefere ficar anônimo, que afirma ser um lobisomem. E que MUITAS pessoas no Brasil, entre as décadas de 1910 até 1970, usavam a ”arte\técnica de virar lobisomem” e confirmou muitos dos detalhes presentes nessa matéria. Segundo este senhor, existem os lobisomens por maldição e por ”arte”. E que muita gente decidiu se transformar em um corredor noturno por um motivo que é tão bobo, tão ridículo e, por isto mesmo, tão absurdo, que chega a fazer sentido: Ele disse que as pessoas faziam isso para VENCER DISTÂNCIAS. Pois um lobisomem seria capaz de, numa única noite, correr o equivalente a pelo menos 7 léguas (MAIS DE 33 QUILÔMETROS!) e que isso era ”vantajoso” em uma época em que os interioranos pobres, não podiam comprar automóveis para uso particular. Ou seja, LOBISOMENS BRASILEIROS EXISTIAM POR CONTA DA DIFICULDADE DE COMPRAR CARRO?! Er… bem… parece até coisa de brasileiro mesmo. E foi isso que me chamou a atenção nesse ”causo” contado no youtube.

 

 

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-COMO MATAR UM LOBISOMEM BRASILEIRO

No nordeste e em outras partes do Brasil, existiam caçadores de lobisomens: eram cangaceiros, jagunços ou outros homens armados que eram pagos pra livrarem cidades atacadas por pragas de lobisomens. Vinham no rastro das criaturas. Eles se armavam com balas recobertas por cera de vela derretida que estiveram em sete missas concebidas por um ”sacerdote que fosse realmente puro”. Caso não se possa atestar a ”santidade do sacerdote”, unte a bala com cera de vela que ardeu em três missas de domingo ou na missa do galo, na meia-noite do Natal. NÃO é exigido que a bala seja feita de prata.

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Mas, tem gente que diz que não custa arriscar e, quando pode, faz a combinação de todas as versões relatadas: junta a pólvora com pó de chifre de boi ou bode; coloca em uma bala de prata; risca uma cruz na ponta da bala; e unta com a cera de vela consagrada.

Por ser tão raro esse tipo de coisa (Hehehe), o dinheiro do pagamento serviria para custear o material usado para preparar a bala e a viagem até o local onde exista tal ”padre eficiente”. Geralmente o lobisomem morto virava gente em seguida. Sendo decapitado e era enterrado o mais longe possível das casas. De costume, em regiões praianas. Onde a água salgada vai ”limpar o terreno”.

Esse costume desapareceu no Nordeste, depois que muitas pessoas começaram a dizer que se tratava de um engodo planejado pelos próprios caçadores. E, porque, segundo dizem, os pescadores e vaqueiros, com as suas lanças e arpões, saíam mais ”barato” e faziam a mesma coisa.

Curioso é que QUALQUER um poderia matar o lobisomem brasileiro: uma bala normal, ou uma lança no coração, ou golpes de facão na cabeça, poderiam feri-lo mortalmente, como qualquer ser vivo. Ele NÃO é um ser imortal e com fator de cura e regeneração, como em outras versões que vocês já escutaram.

O problema é que, se o lobisomem NÃO for morto da forma CORRETA, o sofrimento dele e o nosso NÃO irá acabar. Na realidade, pode até piorar: veja a seguir os dois tipos de criatura que podem surgir a partir de ”um lobisomem que não foi bem matado” por profissionais!!!

 

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-CORRILÁRIO – LOBISOMEM ESPECTRAL

Caso o lobisomem MORRA, mesmo que da ”forma certa”, ele corre o risco de se tornar uma assombração conhecida como ”O Corrilário”: ele não faz mal a ninguém, mas continua a correr por 7 freguesias até sua pena ter sido cumprida. Se o lobisomem for morto em forma humana, ou cometer suicídio, é certo de que ele voltará como essa assombração.

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CURIOSIDADE: No desenho animado japonês ”Hellsing”, existe um único lobisomem ”verdadeiro” vivo e trabalhando para os inimigos. Os poderes desse lobisomem lembram uma combinação daquele das lendas antigas com um lobo espectral.

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Abaixo um relato do Rusmea do ”Curionautas” que fala de um lobisomem espectral:

Geralmente, alguns seguidores do espiritismo costumam definir esses seres espectrais como prováveis espíritos mal intencionados que assumem, propositadamente, a forma de ”lobisomens”. Com a intenção de perturbar as pessoas.

 

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-LOBISOMEM MORTO-VIVO

Se um lobisomem não for morto de forma adequada, e sua cabeça cortada antes de enterrar, ele retorna como uma besta-fera de pelo branco que alguns chamam de ”cordeiro branco” porque ”daria azar falar o nome do bicho em voz alta”. É uma espécie de lobisomem morto-vivo, que NÃO volta ao normal. Se esconde durante o dia, cavando um buraco\toca, onde fica em torpor até o próxima madrugada de quinta.

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É extremamente agressivo e vingativo. Já sai na madrugada com a nítida intenção de matar quem encontrar no caminho, pois seu lado humano é que foi morto. Seu lado monstruoso está livre agora. Tentarão se vingar de quem os mataram da forma incorreta, prolongando a sua existência e seu terror na Terra. E se parece um pouco com algumas versões relatadas do Wendigo do Canadá. Ou com o Ao-Ao (Auh-Auh) da mitologia Guarani (da qual falaremos depois).

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CONHEÇA A ”FAMÍLIA”: nosso folclore sulamericano é riquíssimo. Mas, o mais interessante, é que é possível analisar a ”árvore familiar” de muitos desses monstros e perceber até aonde vai o parentesco do lobisomem!

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-O TARDO

O Tardo ou ”Trevor” é uma espécie de duende, um ser mítico do folclore popular português. O tardo também se chama de ”pesadelo” ou ”tardo moleiro”. Semelhante ao Saci, sua presença importuna as pessoas. Quem estiver dormindo sofrerá pesadelos.

Pode aparecer na figura de um animal. Geralmente um cão, gato ou cabra. Muitas vezes de cor preta. O tardo, quando aparece nos caminhos, nos regatos e nas encruzilhadas tenta deixar as pessoas ”intardadas” (desorientadas). Sem saber qual caminho seguir. E até urinando nas pernas das pessoas.
Uma criança pode se transformar num tardo e correr o fado se o padrinho durante o seu batismo não disser as palavras certas. A transformação terá lugar antes da idade da comunhão, aos sete anos. A criança antes de se transformar pendura a roupa na árvore mais alta de uma encruzilhada e transforma-se num animal. Se, durante o período de sete anos, não lhe quebrarem o fado transforma-se em lobisomem completo aos 13. Alguns misturaram essa lenda no Brasil para afirmar que essas crianças-duendes se tornam os sacis. Dessa forma, os sacis também seriam OUTRAS criaturas correlacionadas com os lobisomens.

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OBS: Em Portugal e no Brasil, o termo ”duende” é utilizado para generalizar todo um grupo variado de raças de seres como goblins, gnomos, leprechauns e até algumas fadas, pequenos ogros ou trolls.

 

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-A PEERA:

Talvez uma sétima ou oitava filha possa vir a se tornar um peera. Ou poderia ser uma híbrida de fada ou elfa e humano. Algo semelhante a natureza das ninfas. Entre os 13 e 15 (ou 16) anos, a jovem passa a sentir a convocação dos lobos. Um instinto a motiva a abandonar tudo e fazer parte de uma alcateia. Seja de lobos comuns ou lobisomens. A partir daí, ela ganharia o dom de se curar de qualquer ferimento, se comunicar com lobos e lobisomens e até liderá-los. Podendo dar paz e controle para essas feras ou usá-los contra a humanidade.

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As peeras não são necessariamente boas ou más. A grande maioria assume o papel de entidades da natureza. Mantendo o equilíbrio e afastando os lobos e lobisomens da civilização. Servindo de porta-voz destes seres e até assumindo missões de resgate de inocentes em meio as florestas. O problema é quando uma peera se deixa corromper pela fúria ou malignidade de lobisomens, tornando-se inimiga de todos que se embrenham na mata. Dessa forma, sua intenção é caçar humanos ao lado de seus companheiros. Enganando e levando pessoas ingênuas para cantos ermos, para que sejam oferecidas como vítimas.

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Reza a lenda que, as vezes, uma peera decide renegar seu instinto e volta a morar (ou permanece desde sempre) ao lado de sua família humana. Porém, como ela é ”portadora da maldição\genes do lobisomem”, logo é como uma fêmea desses seres. Acaba por atrair lobisomens a sua vida inteira, que tentam seduzi-la enquanto estão na forma humana. Da mesma forma que assombram sua porta e a janela de seu quarto, nas madrugadas. A peera, porém, não tem medo da criatura. Não fica paralisada diante dele, mesmo que NÃO consiga compreender do que se trata tal monstro. Caso venha a se casar com um humano normal (ou não), invariavelmente seu sétimo filho(a) poderá vir a carregar a maldição. O que nos faz questionar: será que várias mulheres que tem SÉTIMOS filhos amaldiçoados são peeras, na verdade?

 

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A MULA-SEM-CABEÇA

A versão feminina do lobisomem é a Mula-sem-cabeça: segundo essa versão, mulheres NUNCA se tornam lobisomens. São ”bruxas” que se apaixonam sempre por homens casados e padres. Se eles chegarem a ter relação sexual, um vira lobisomem e a outra vira a Mula. Também tem versões mais detalhadas disso que indicam que, na verdade, a ”Mula” seria filha de um outro padre (ou compadre da família) com uma mulher casada que já teve 6 filhos do mesmo sexo com seu marido. Ou seja, a ”futura amaldiçoada” seria a sétima filha daquela mulher, mas não do marido dela. Resultado de uma relação proibida, portanto. O pecado que serve de gatilho para a transformação pode variar de região para região: incesto com os irmãos; canibalismo; necrofagia; relações com animais; infanticídio dos próprios filhos; assassinato do marido; etc.

Segundo reza a lenda original, ela tem ”uma cabeça”. Mas, NÃO pode ser vista por motivos que variam de versão para versão: a mais conhecida relata que seu crânio é envolto com fogo. Mas, no interior, existe a cabeça de uma mulher, que tem um freio entre os dentes. Se algum herói for valente o suficiente, é possível retirar esse freio, curando temporariamente a mulher amaldiçoada! Em outras versões pela América Latina, a Mula NÃO tem freio na boca, porque realmente não tem cabeça ou a mesma está enterrada no pescoço. Ou, que possui uma estranha cabeça, que lembra algo entre humano e cavalo, com o freio na boca (ou não). Na maioria das versões, a Mula NÃO pode ser curada da maldição dessa forma: ela tem que correr, em uma única madrugada, ao redor de 7 Igrejas, cada uma em um município diferente. Como isso NUNCA é possível, seu sofrimento é eterno.

E que as Mulas se sentem atraídas por padres exatamente porque em muitos casos, alguns desses sacerdotes seriam os sétimos filhos ”fadados a ser lobisomem”!!! Cujas famílias ”jogaram nas mãos da Igreja”, para se livrarem da vergonha de ter um parente amaldiçoado. E com a esperança de que ele seja curado por estar envolvido na Igreja. Ou seja, as Mulas PROCURAM seus ”pares”, como se estivessem no cio! E a relação proibida entre esses dois amaldiçoados poderá gerar MAIS lobisomens e\ou Mulas.

Diz a lenda que é possível fazer com que ambas as maldições do ”casal”sejam anuladas, assim que o padre disser, em alto e bom tom, no início da Missa, que repreende a mulher com quem tem relações. Assim como a si próprio. Ou, mais comumente, se o sacerdote abdicar de sua função na Igreja e assumir seu relacionamento de forma ”correta” perante a religião, Deus e a Sociedade.

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Em países vizinhos ao Brasil, existem variações desta criatura, que pode ser chamada de ”Mula-Mala” ou ”Malamula” (Mula Maligna). Nestas versões, ela costuma estar com ou sem cabeça (de mulher com traços animalescos) e um par de seios discretos na base do pescoço do seu corpo de cavalo. Costuma causar confusão entre mercadores viajantes que usam de mulas, e os faz entrar em desespero com seus animais. Fazendo-os cair em precipícios durante a madrugada. Também chamada de ”Donamula ou Mula-dona” (”mulher-mula ou senhora mula”) em uma versão um pouco diferente.

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MULA ANIMA\ALMA MULA: Versão argentina da lenda. A Mula foi amaldiçoada em vida e se transforma depois de morte na criatura, que ganha ares de ‘’forma espectral’’. Causa sangramento no ouvido daqueles que escutam seus gritos durante a madrugada. E todos aqueles que possuem pecados mortais, que cruzarem seu caminho, estão correndo o risco de se tornarem Mulas Fantasmas depois de mortos, caso não se arrependam de seus erros. De certa forma, é a versão ”morta-viva” da Mula-sem-cabeça, como ocorre com o ”cordeiro branco lobisomem”, já citado acima.

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Sihuanaba, La Siguanaba, Cigua ou Cegua: Mulher belíssima de costas, que se revela com cabeça de cavalo ou caveira, deixando as vítimas loucas e perdidas na mata. Pode assumir parcialmente o rosto da esposa, namorada, amante da vítima. Se for uma criança, assume a forma da mãe da mesma. Criatura comum do folclore da América Central.

 

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-A CARRUAGEM ASSOMBRADA DE ANA JANSEN

A lenda da assombração maranhense de Ana Jansen seria uma espécie de evolução da Mula-Sem-Cabeça. Desta vez, seria uma carroça puxada por duas ou mais mulas-sem-cabeça, conduzida pelos espectros de dois escravos igualmente decepados ou com cabeças flamejantes. Dentro da carroça estaria a própria Jansen, da qual diziam ser uma mulher muito maligna em vida. Que fazia bruxarias e maltratava seus escravos e desafetos da região.

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A carruagem maldita costuma aparecer nas noites de sexta-feira de lua cheia, pelas ruas da Praia Grande. Se uma pessoa presenciar sua passagem, um dos escravos espectrais (ou ela própria, em um vestido negro) descerá do veículo e irá até a testemunha, entregando-lhe uma vela e pedindo por orações. Ao amanhecer, a vela se torna um osso humano nas mãos da infeliz pessoa.

 

 

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CURIOSIDADE: Na Irlanda temos uma lenda levemente parecida com a Mula-sem-cabeça e seus correlatos. Se trata do fantasmagórico (e meio-feerico) Dullahan. Um cavaleiro que carrega sua própria cabeça em uma mão e um chicote feito de vértebras na outra. Seu cavalo pode, ou não, também ser decapitado e puxar uma carreta que leva caixões, velas e correntes. E passar perto de pessoas e casas na madrugada também é sinal de má sorte.

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Algumas variações dizem que ele chicoteia e cega com seu chicote de coluna vertebral quem ousa olhar em seus olhos diretamente. Possui fraqueza diante do OURO, chegando a levar dano se alguém jogar uma moeda de ouro puro nele. Acreditasse que essa figura e baseada num antigo deus celta\pagão chamado Crom Dubh… que foi ”demonizado” após o catolicismo converter os irlandeses.

 

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-CURACANGA CUMACANGA

Muito comum na região Norte do Brasil, a Curacanga costuma ser referida como a sétima filha de uma mulher que é ou já foi uma Mula-sem-cabeça (concubina de padre). Ou que seria a sétima filha de uma Mula com um lobisomem. Nas noites de lua cheia, a amaldiçoada sofre uma das mais estranhas mutações: sua cabeça se destaca e abandona o corpo em forma de uma bola de fogo ou luz. Algumas versões dizem que é possível VER, dentro da esfera de fogo ou luz, o rosto alterado da mulher. Ou um crânio em chamas, como o Motoqueiro Fantasma.

“Quando qualquer mulher tem sete filhas, a última vira Curacanga, isto é, a cabeça lhe sai do corpo, à noite, e em forma de bola de fogo, gira à toa pelos campos, apavorando quem a encontrar nessa estranhar vagabundeação. Há, porém, meio infalível de evitar-se esse hórrido fadário: é a mãe tomar a filha mais velha para madrinha da ultimogênita”. (Basílio de Magalhães, Folclore no Brasil).

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A cabeça flamejante voadora vaga pelas madrugadas, onde pode correr seu fado. Ou, se aproximar de pessoas dormindo e sugar a energia vital (ou sangue) das mesmas. Ao longo das madrugadas, a vítima é visitada várias vezes e começar a ter sua saúde roubada. Mas, antes do amanhecer, a curacanga deve retornar ao seu corpo, ou morrerá. Seu ponto fraco é seu corpo humano decapitado.

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Devido essa estranha conexão com a Mula-sem-cabeça, existem variações da lenda que combinam as duas criaturas: as Mulas-sem-cabeça teriam que destacar seus crânios na hora da transformação e colocá-los em um lugar seguro. Enquanto seus corpos se transformavam nas mulas monstruosas. Em outras versões, o corpo se transforma em mula e a cabeça parte em outra direção na forma de curacanga. E as duas partes voltam a se encontrar as 3:30 da madrugada para se reconectarem e voltarem ao normal. O video abaixo toca nesse assunto, ao explicar o destino da ”cabeça que desaparece durante a transformação”.

 

CURIOSIDADE: Existe uma outra variação peruana da besta-fera Mula-sem-cabeça chamada ”Runa-mula”. A mulher ”pecadora”, sempre na última noite de lua cheia, quase lua nova, se transformava num monstro de semelhança com o centauro e passa a correr o mundo com enorme tristeza. Ela olha para o céu e ROUBA, temporariamente, a lua ou um ”pedaço” da luz da Lua. Só devolvendo no dia seguinte ou quando termina de dar a volta ao mundo e retorna para sua cama, exausta. Ao acordar, se vê toda ferida e ensanguentada. Sem memória do que fez.

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Isso é uma metáfora a um monte de coisas, incluindo ao ciclo menstrual (geralmente de 28 em 28 dias, como o ciclo lunar) que costuma ocorrer entre a lua cheia e a lua nova (onde a lua NÃO é visível no Céu noturno). O roubo da luz lunar significaria que a criatura é quem faz a fase da lua nova ocorrer. E, ao correr o mundo segurando parte da luz da Lua nas mãos, só seria visível a parte de baixo de seu corpo equino. Dando a impressão de que sua cabeça é feita de fogo ou luz, como a Mula-sem-cabeça. Ou uma combinação de mula e curacanga!

OBS: Hoje em dia, devido os registros de testemunhas que viram ou teriam sido ATACADAS por UFOs (OVNIS) em formato de globos luminosos, a curacanga ganhou uma nova interpretação que tem como certa sua origem ser extraterrestre. Essa especulação ganhou força depois dos casos que levaram a intervenção militar conhecida como ”Operação Prato”, quando, no final da década de 70, o exército brasileiro foi chamado para investigar a peste de OVNIS conhecidos como ”Chupa-chupa” no interior do Pará. Que eram bolas de luz que se aproximavam de suas vítimas e disparavam um fino laser. Os atingidos eram queimados e fulminados com essas rajadas. Os sobreviventes relatavam que amostras de sangue eram retiradas através desses mesmos raios de luz intensa que os atingiam.

CURIOSIDADE: Os indígenas caxinauás e panos, do território do Acre, explicam a origem da Lua como uma cabeça que subiu aos céus (Capistrano de Abreu, Rã-Txã-Hu-Ni-Ku-Í, Rio de Janeiro, 1941).

CURIOSIDADE 2: Existe uma semelhança entre a curacanga e uma outra lenda brasileira. Se trata da ” Mãe-do-Ouro”, uma bola de fogo que vaga as madrugadas, mas, que não causaria nenhum mal. Na verdade, a aparição indicaria onde esta enterrado um tesouro.

CURIOSIDADE 3: existem monstros parecidos com a Curacanga em outro lugares do mundo!

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No Caribe, existe um versão dessa criatura, que combina aspectos de bruxa jumbee com vampiros estilo súcubo: A SOUCOUYANT! Uma bruxa idosa que, durante as madrugadas, deixa sua pele em casa (como quem deixa seu corpo ou tumba), revelando uma forma de bola de fogo que vaga pela escuridão. Pode invadir casas através de frestas e buracos de fechaduras nas portas. Encontrando uma vítima adormecida, começa a sugar o sangue\energia vital da mesma. Caso absorva demais, a vítima morrerá ali mesmo e a bruxa poderá decidir se ficará usando sua pele\corpo, substituindo o indivíduo. Como se fosse um caso de possessão de um cadáver.

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Mas, caso não retorne para seu próprio corpo\pele humana, antes do amanhecer, perderá seu disfarce original e deverá se esconder do Sol. Ou morrerá definitivamente. É possível enganá-la e plantar uma armadilha, ao deixar muitos grãos na frente da porta dos quartos: ela é uma das criaturas que possui a mania incontrolável de ficar colhendo e contando grãos que aparecem na sua frente, se esquecendo do resto. Isso evita que ela entre nos quartos e pode torna-la vulnerável para ser percebido ou até mesmo perder o horário de voltar para sua ‘’casca’’. Da mesma forma, jogar sal grosso na casca\pele\corpo humano da Soucouyant fará com que esse disfarce seja estragado irreversivelmente. Esta bruxa aberração também é conhecida em alguns cantos como ”Ole Higue” e até ” loogaroo”.

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No folclore japonês também temos o Nukekubi, outro ser cuja cabeça sai do corpo para realizar ataques vampíricos. Existem criaturas semelhantes na Malásia (o Penanggalan).

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Por sinal, nas Filipinas, é comum a existência de seres vampiros que podem destacar parte dos corpos, que se transformam, para atacar pessoas, durante o sono, usando de línguas (ou apêndices) em forma de trombas ou tubos: é o caso do manananggal, um vampiro fêmea aswang, cujo torso se separa e toma a forma de um ser com asas.

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-A BESTA-FERA

Criatura escura e peluda, com corpo de cavalo e torso de homem, ou lobisomem. Possui uma cabeça satânica… ou de bode, ou de lobisomem (a versão mais comum) ou, até mesmo, com nenhuma cabeça. Uma espécie de mistura visual de lobisomem e Mula-sem-cabeça. Muito comum ser avistada em Portugal e no Nordeste Brasileiro. Algumas pessoas acham que a criatura, a primeira vista, nada mais seria do que uma versão ”brasileira de centauro”. Algo completamente equivocado.

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Em uma das versões da lenda, o diabo, desejando se locomover mais velozmente no plano físico, escolheu um novo corpo. Esse ser quadrúpede, semelhante a um centauro, é usado quando o demônio necessitaria ir, de cemitério em cemitério, de encruzilhada em encruzilhada, para coletar as almas de pessoas perdidas no limbo. Ou de almas de pessoas que fizeram pactos com ele enquanto vivas.

Alguns dizem que os lobisomens FOGEM desses seres, para não serem levados para o inferno. O motivo disso seria a suposta ideia de que os lobisomens são espectros que possuem os vivos. E estes mesmos espectros são FUGITIVOS do inferno. Por isso, o próprio diabo viria nas noites de lua cheia para tentar encontrar lobisomens e mulas-sem-cabeça. Num eterno jogo de gato-e-rato.

Dizem que besta-feras ficam mais poderosas e animalescas conforme coletam (ou absorvem) os espíritos desses Corredores Noturnos (que fizeram pactos com ele). Ou, até mais que isso: que, na verdade, uma besta-fera surge a partir de um lobisomem ou de uma mula que NÃO conseguiu se livrar de seu fadário… evoluindo sua maldição para a forma de uma besta-fera completa.

Um portal se abre no solo de um cemitério ou encruzilhada, toda noite de lua cheia, de onde surge a besta maligna. Munida de um chicote, e acompanhada de cães infernais ou espectrais, ele cavalgada relinchando, rindo e gritando na madrugada. Os cachorros da vizinhança fogem de suas chicotadas. Alguns o perseguem, aumentando ainda mais a algazarra. Para desviar o caminho desse malassombro, só através de rezas e orações, como o ”credo”. O ser humano que vê sua face perderá a razão por algumas semanas. Porém, dificilmente é atacado fisicamente. Pois, a intenção do desgraçado ser é realizar a missão de coletar almas e terminar sua jornada em um portal que se abrirá em uma tumba, daqui a sete cemitérios. Repetindo ciclo no mundo inteiro, enquanto for lua cheia em algum lugar. Isso ocorrerá até o dia em que terá início o Armagedom e a besta-fera escolherá a forma na qual é apresentada no Apocalipse de João.

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No mundo dos videogames, existe um personagem que lembra MUITO uma besta-fera do nosso folclore: o monstro MOTARO, o centauro de ”Mortal Kombat 3”.

Em países vizinhos, a besta-fera pode ser chamada de ”La Carreta Del Diabo e El Macho Cabrio”. Nesses países, a Besta Fera é sempre acompanhada por uma carreta, puxada pela criatura.

 

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-LOBISOMEM ORIGINAL LUIZON E AO AO:

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Vamos começar pelo início, pra que todos entendam. Na mitologia tupi-guarani existe a lenda de Tau, um demônio antigo que era proibido de ter relações com mulheres humanas. Porém, toda a madrugada, ele sequestrava uma indígena chamada Kerana, filha de Marangatu. E toda a madrugada, os ancestrais dos guarani corriam em seu auxílio.

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Mas, o demônio Tau era apaixonado pela jovem e se recusava a desistir de sequestrá-la sempre que podia. Não se sabe ao certo se Kerana ”gostava de ser sequestrada” ou não… mas, o que se tem por certo é que nem sempre os guaranis conseguiam impedir que Tau tivesse relações com ela. Por conta disso, destes vários sequestros, nasceram 7 híbridos. E, por serem filhos de um demônio, as 7 crianças nasceram deformadas e canibais.

Os 7 monstros lendários da mitologia tupi-guarani são:

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Monai: uma criatura serpentoide com habilidades telepáticas, emitidas através de seus ”chifres-antenas”. Se enrosca e sobe em árvores para influenciar negativamente as pessoas que se aproximam. Causa confusão nas aldeias e depois ataca as vítimas hipnotizadas, que se aproximam da árvore onde ele está. Algumas versões dizem o contrário: de que ele é protetor de todos os seres vivos, embora goste de colocá-los em situações embaraçosos ou perigosas. Só por ”diversão”. ”Vai ser zoeiro assim no raio que o parta, maldito!”

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Teju-Jaguar: uma quimera meio lagarto e meio canídeo (ou meio onça). Possui várias cabeças. Vive em tocas dentro de cavernas subterrâneas. Protetor das frutas, das quais utiliza como chamariz para atacar sua vítimas. Dizem que suas patas são pouco funcionais, lhe atrapalhando na hora de correr. Por isso, espera paciente suas presas em sua caverna e só sai durante o verão, geralmente quando acaba sua hibernação (de serpente). Assim como dragões de mundos de RPG e lendas europeias, esse monstro guarda todos os tesouros perdidos dos guaranis.

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M’boi Tuh: costuma viver em pântanos. É uma serpente com cabeça de papagaio. É capaz de imitar vozes humanas ou de aves para chamar a atenção, encantar ou para disfarçar sua aproximação. até ser tarde demais para a vítima.

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-Yaci Yaterê: a versão original do saci pererê. O único dos sete irmãos com capacidade de se passar por um ser humano normal (como uma criança ou um homem baixinho). Usava de seus poderes de encantamento para atrair crianças e levá-las para brincar. Depois, se cansava delas e as deixava na toca de seus irmãos, que as devoravam. Algumas versões dão por certo que a fonte de seus poderes é um cajado de madeira mágico. E, assim como o leprechaum e o saci, que seriam duendes que odeiam perderem seus gorros vermelhos, retirar esse cajado o deixará indefeso e desesperado por tê-lo de volta. Em troca do resgate pelo cajado, é possível que o Yaci lhe diga onde está enterrado um tesouro. O que lasca é que o tesouro possa estar amaldiçoado ou, pior, sob a guarda do Teju-Jaguar.

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Kurupi: talvez o protótipo de seres como o curupira e caipora. Se alimenta de crianças e filhotes recém-nascidos e é reconhecido por seus gritos e gargalhadas malévolos. Costuma estuprar índios (homens) perdidos na floresta. Assim como índias virgens, sendo que, se isto ocorrer em noites de lua nova, segundo a lenda, será concebido um ser híbrido, pequenino e levado. Uma espécie de duende. Alguns falam que esse híbrido possa ser um saci, um curupira ou uma caipora. Possui uma enorme espécie de ”corda” que, de dia, amarra na cintura como um cinto. Mas, à noite, maneja como bem quer, usando-a para capturar suas presas ou até açoitando-as. DETALHE: troque a palavra ”corda” por ”órgão sexual masculino” e você imaginará o terror que essa criatura provoca.

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-Ao Ao (Auh-Auh): um dos mais perigosos. Se trata de uma besta-fera semelhante ao lobisomem morto-vivo”cordeiro branco”. Alguns dizem que lembra um bovino ou um enorme carneiro a distância. Corre velozmente mesmo nas paredes das montanhas, feito um cabrito montês. E persegue suas vítimas de forma incansável. Podendo, inclusive, derrubar postes e árvores em que o mesmo tente escalar para fugir. Somente palmeiras (que seriam árvores sagradas, incluindo na Bíblia) o impedem de continuar a destruição. ”Ao Ao” é o uivo que ele solta enquanto galope em busca de uma vítima.

Visto como uma entidade da fertilidade, ele é capaz de gerar filhotes de si mesmo todo ano. A manada\matilha de Ao-Ao correm por todo o território que o alfa escolheu como seu. Mas, ao final do ano, caso faltem vítimas, o original DEVORA todos os seus filhotes. Mantendo a si mesmo como único, renovando sua imortalidade e se preparando para gestar novos filhotes no ano seguinte.

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Seus filhotes são, muitas vezes, comparados as ”cabras cabriolas” das lendas portuguesas.

 

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-Luizon: o SÉTIMO filho de Tau e Kerana. O LOBISOMEM ORIGINAL. Um verdadeiro lobisomem pré-histórico. Seu nome original se PERDEU e, dizem as lendas, que isso foi proposital, pois seu nome é amaldiçoado. É como ”aquele cujo nome não podemos pronunciar”. Devido a influência espanhola e portuguesa, decidiram rebatizá-lo como ”luizon” ou ”luison”. Um trocadilho, por sinal, muito comum quando o povo quer se referir a um suspeito de ser o lobisomem, mas sem querer ser percebido: ”Conhece fulano de tal? Escutei dizer que ele é da família de Luiz Homem.”

Mensageiro da noite e da morte, essa criatura quimérica (que de início parecia tomar a forma de um misto de macaco cadavérico com barbatanas e cachorro vampiro) vaga pelos cemitérios. Não precisa ser lua cheia, mas isto o deixaria mais forte. Noites de tempestade também são suas preferidas para sair. Costuma desencavar os túmulos em busca de carne em decomposição para comer, feito o morto-vivo Ghoul. E os ossos para colecionar.

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Dizem enfeitiçar e controlar espectros. É capaz de se tornar um ”cão infernal de cabeça grande” e se infiltrar em matilhas de cães de rua, para atravessar a cidade, sem levantar muitas suspeitas. Camuflando-se.

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Caso um desavisado venha a ser visto por este monstro, dificilmente consegue correr: seu fedor e sua presença medonho paralisam a vítima. Em seguida, Luizon começa a cercar o sujeito e lhe rodear. Após dar 7 voltas completas ao redor, investe contra a pessoa. Se a aberração conseguir passar por entre suas pernas, o ritual estará completo. E a vítima será corrompida com a maldição, que irá infectá-lo e quebrar seus ”7 chacras”, de baixo para cima. Tornando-se um lobisomem na próxima lua cheia. Mas, caso a vítima escape do ritual, ainda assim, ela deve ser evitado que as presas e garras imundas rasguem sua pele. Pois é arriscado a se contaminar, morrer e retornar como um morto-vivo a serviço dele.

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Dizem que, se conseguirem MATAR Luizon, arrancando-lhe o coração, automaticamente TODOS os lobisomens latinos seriam curados de suas maldições. Pois ele é o ”patrono” da raça.

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OUTRAS CRIATURAS QUE SÃO CONFUNDIDAS OU QUE POSSUEM RELAÇÃO DISTANTE COM A LENDA DO LOBISOMEM:

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-O CÃO NEGRO\ CÃO INFERNAL:
Várias são as versões, origens e naturezas dessa criatura. Podem, ou não, aparecer ao lado de lobisomens ou se comportar como os mesmos.

 

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-CAPE-LOBO

O ”lobisomem indígena”. Com garras, cascos e um focinho comprido. Sua aparência costuma variar também. Esta criatura seria um índio que se torna em um monstro. Outras versões dão como certo que o cape-lobo NÃO é e nunca foi humano.

Segundo a lenda, o tal monstro SUGA o cérebro de suas vítimas, através do seu focinho, como se fosse um tamanduá.

O nome ”cape-lobo” é de origem indefinida. Dizem ser a combinação das palavras tupi e portuguesa para ”osso quebrado” (cape) e ”lobo”. Mas, nunca foi confirmado.

 

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-MAPINGUARI

Muitas vezes confundido com o lobisomem, este é um ser encantado e entidade protetora da floresta. Tem mais em comum a lenda do Sasquatch\Pé-grande\Yeti do que com o lobisomem. Nem se sabe se ele também se transforma em humano ou vice-versa. Alguns dizem ser, na realidade, um megatério (bicho-preguiça gigante pré-histórico).

mapinguari ou preguiça gigante megatério

A criatura vive na selva e caça todos aqueles que a invadem e caçam sem ”lhe pedir” ou que o fazem em dias de feriados santos. Seu corpo varia nas seguintes características: pode ser um ciclope (ou não); os ”machos” possuem uma gigantesca bocarra que abre na horizontal do seu tronco; as ”fêmeas” tem uma bocarra que se abre na vertical, desde o umbigo até o começo do nariz; seu corpo pode ser extremamente peludo ou possuir uma espécie de casco ou armadura orgânica de escamas. Possui enormes patas com garras e seus pés podem ou não ter cascos. Seu único ponto fraco é o umbigo, que pode ser alvejado. Qualquer outra parte do seu corpo é dita como invulnerável a qualquer arma feita por mãos humanas.

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O Mapinguari bate nos troncos das árvores com as patas e clavas improvisadas para verificar se as mesmas estão firmes para resistir as tempestades tropicais e as pragas. Esse barulho e seus urros medonhos servem como aviso para que os humanos não se aproximem do local. Não é incomum ver o Mapin avançando pela mata com incrível aspecto de destruidor, como se sentindo uma ira daqueles que invadiram o território.

mapinguari vs caçador

Da mesma forma que os lobisomens, podem exalar um fedor horrível e uma presença paralisante: as pessoas ficam imobilizadas com o que chamam popularmente de ”sentir engrossar ou encruar as pernas”. Um efeito da presença destes monstros!

mapinguari

Nos anos 90, foi noticiado na TV que ocorreu um massacre em uma aldeia indígena brasileira. Mas, a polícia e a FUNAI não conseguiram prosseguir adiante com as investigações, pois os sobreviventes insistiram que aquilo NÃO foi obra humana: o mapinguari teria invadido o local com fúria e matado a todos que encontrou no caminho.

Mapinguari filme poster by daniel figueira

 

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-A CABEÇA SATÂNICA

Dizem que muitas pessoas já viram essa medonha assombração. Trata-se da ”cabeça satânica” ou ”cabeça demoníaca”. Do meio da escuridão do sertão, surge um vulto masculino, de cabelos escuros e compridos. Seu rosto se torna uma face monstruosa. Em seguida, destaca a própria cabeça com as mãos. Ou simplesmente o corpo some e deixa só a cabeça. E esta é arremessada ou começa a rolar no chão, rindo e gritando de forma maligna, na direção da vítima. Apesar de não ter relatos de pessoas que morreram por ataques físicos, é dito que o perseguido pode vir a morrer pelo susto ou enlouquecer para sempre.

cabeca-satanica

A tal Cabeça satânica costuma ser relacionada com a lenda de que os cangaceiros teriam feito pactos para serem imortais: só poderiam ser mortos definitivamente se os decapitassem. Caso contrário, voltariam como mortos-vivos do nosso folclore, os assim chamados ”Corpos-Secos”.

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Porém, uma versão mais complexa da lenda diz que alguns destes cangaceiros eram lobisomens e que, serem mortos e decapitados SEM serem alvejados por balas benzidas antes, os transformam nas tais ”cabeças satânicas”. Seus objetivos estão em se vingar de qualquer um que encontrem pelo caminho ou forçar as pessoas a revelarem ONDE estão enterrados seus corpos originais.

Versões mais terríveis dão a entender que essas cabeças errantes podem fazer não apenas assustar e enlouquecer… mas, também, fazer a pessoas adoecer e morrer ao seu toque. Ao caminhar pelas madrugadas, feito o lobisomem, pode escolher uma casa e parar de frente a ela. Sua presença aterroriza a todos no local e seu hálito invade a residência, significando a possível morte de alguém que a habite. É necessário colocar amuletos na frente da porta principal para afastá-la e, depois, pedir por um exorcismo imediato.

 

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-JAGUARETÊ-ABÁ:

Um outro tipo de metamorfo indígena da Amazônia. Desta vez, se trata de um werejaguar. Mas, não tem NADA a ver com o horário da madrugada, lua cheia ou ser um sétimo filho. Se trata de um feiticeiro que se transforma através de um ritual ou pacto. Seja para ameaçar, espionar ou se vingar seus inimigos ou os adversários de sua tribo. Muitos, porém, são os Nahual ou Runa-uturuncu (em língua quichua): bruxos loucos, malignos, psicopatas que se vestem com as peles dos jaguares (onças) para roubar seus poderes, se camuflarem como animais e cometerem os atos mais horrendos. Como sequestros, estupros, assassinatos e canibalismo. Semelhantes ao lobisomens satânicos da Europa, que faziam pactos em troca de receber mantos ou cinturões feitos com a pele dos lobos, para cometerem crimes sem serem reconhecidos.

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Geralmente, quando a transformação é perfeita, é quase impossível saber a diferença entre uma onça de verdade e um yawaretê-abá. Somente os olhos e as patas tem traços humanos: pupilas de humanos, que expressão uma certa inteligência. E patas com dedos que lembram uma mão, com polegar opositor e tudo mais. Em alguns relatos, também é possível perceber que o crânio do jaguaretê-abá tem um tamanho e formato maior… mais parecido com o de uma pessoa.

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Porém, existem situações onde a transformação NÃO se completa ou o próprio feiticeiro quer plantar o terror no coração de suas vítimas. Quando isso ocorre, é comum os relatos de jaguaretê-abás serem avistados no meio da selva ou empoleirados em árvores com partes do corpo bizarramente ainda meio-humanos.

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No Caribe, existe uma variação desta criatura, conhecida como Kanaíma. Que seria um espírito vingativo e justiceiro que possui as pessoas e animais, tornando-as furiosas. Algumas variações afirmam que ele pode tornar uma pessoa um were-jaguar ou tornar um jaguar semelhante a uma pessoa. Não somente onças, mas OUTROS animais, como raposas e aves, possam ser a forma escolhida pelos kanaímas. Mas, não é dito que a kanaíma é boa ou má, apenas uma força da natureza e a reação do possuído dependendo muito da sua própria personalidade e pecados. Esses espíritos são invocados em rituais de xamãs que utilizam rituais envolvendo drogas a base de ervas específicas. 

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Com a mistura da cultura dos ameríndios com a européia e africana, não é incomum uma versão que combine o conceito do jaguaretê-abá com os lobisomens brasileiros: incluindo correr o fado, sétimos filhos, etc. Isso provavelmente foi motivado pelas aparições de onças verdadeiras que são vistas atacando animais domésticos em sítios e fazendas, durante a madrugada, em localidades mais distantes ou isoladas.

 

chupacabra

CHUPA-CABRAS:

Criatura surgida de testemunhos na América Central, acabou por correr o continente inteiro em em aparições. Atualmente, tomou o lugar do lobisomem como um dos monstros\lendas urbanas mais conhecidas. E dizer que foi uma ”substituição” é até curioso de afirmarmos, pois, tirando o fato de que ninguém acreditar que o chupa-cabra é um humano amaldiçoado que vira uma quimera, saiba que ele faz quase a mesma coisa que o lobisomem latino: ataca animais e pessoas, tentando sugar seu sangue como um vampiro.

chupacabras

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Em meados do anos 90, ocorreu uma ”praga de chupa-cabras” no interior do Brasil, que ficou tão famosa que os programas dominicais (como aquele apresentado pelo Gugu Liberato) fizeram várias matéria coletando testemunhos a respeito desse bicho. Que muitos acreditam estar relacionado com alienígenas e não maldições.

 

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O MONSTRO ARRANCA-LÍNGUAS:


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*LOBISOMENS DE NOVELA BRASILEIRA:

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Seja por influência do lobisomem\homem-lobo dos estúdios Universal e Hammer, por ignorância do nossos próprio folclore, ou simples falta de recursos para efeitos especiais, os lobisomens brasileiros são mostrados em quadrinhos, filmes e animações nacionais com uma cara muito Hollywoodiana. Ou seja, muitos deles seguem o padrão do ”homem com cara peluda e presas”, mais parecido com o Wolverine dos anos 70. Ou o típico ”lobisomem que é um lobo bípede, todo malhado, com musculatura bem definida e pelo bem tratado”. Dificilmente é mostrado um lobisomem deformado, horrível e quadrúpede como nas lendas.

Eis os personagens lobisomens mais famosos da cultura pop brasileira, mostrados em filmes e novelas. NÃO irei colocar auqi os ”lobisomens produzidos em laboratório” da ridícula novela ”Mutantes – Caminhos do Coração”.

-Professor Aristóbulo Camargo (de ”Saramandaia”); Nogueira (de ”O Coronel e o Lobisomem”); Professor Astromar Junqueira (de ”Roque Santeiro”).

Saramandaia (original): a transformação do professor Aristóbolo em lobisomem:

Versão mais recente (2013), dessa novela que tanto acrescentou a cultura pop brasileira:

Um outro professor, o personagem Astromar Junqueira, da célebre novela ‘’Roque Santeiro’’, também assombrava a história. Depois de pistas falsas de quem seria o lobisomem da cidade, onde o roteiro dava como mistério paralelo da trama (que foi assunto de rodas de prosa no Brasil dos anos 80), o último episódio mostrava a transformação do homem em monstro.

Curioso como a Globo fazia esta dicotomia: um tipo de monstro ancestral e folclórico, conhecido como ‘’lobisomem’’ ser, na verdade, a maldição de homens vistos como bastiões da cultura, ciências e modernidade. Como quem quer dizer que as lendas mais antigas e repetidas da humanidade NÃO podem ser apagadas por conceitos modernos ou seculares. Apenas encobertas sob novas camadas.
O Coronel e o Lobisomem: Baseado no livro de mesmo nome, uma divertida e espetacular aventura, em forma de ‘’causo’’. Vale muito a pena!

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PERSONAGENS DOS GAMES QUE ESTÃO CORRELACIONADOS AS LENDAS DO LOBISOMEM LATINO\ÍBERO:

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-BLANKA

Apesar de muitos (desinformados) acharem que o heróico lutador monstro brasileiro de ”Street Fighter” não tem muito a ver com o nosso país, eis aqui umas verdades:

Blanka é, de longe, um dos personagens que mais faz referências ao nosso folclore e as lendas que envolvem nossa selva. O monstro mutante é uma QUIMERA, resultante de uma infecção causada pelo B-Virus (Beast Virus). Aqueles que são expostos a esse vírus sofrem uma mutação causada pelo transporte de genes de hospedeiros anteriores. Ou seja, se o vírus contamina e depois ”pula” dos organismos de macacos, onças, serpentes, enguias elétricas, tatus e tamanduás, acaba por levar características genéticas para outros seres. No caso do garoto Jimmy, perdido no meio da selva amazônica, em contato direto com a fauna local, o vírus o contaminou fundindo seu DNA com TODOS os genes de animais próximos. Isso fez com que ele se tornasse uma versão ”moderna” do nosso lobisomens. Um misto de vários seres animalescos em um só. Isso sem falar de sua semelhança a seres encantados folclóricos do Brasil: Curupira; Mapinguari; e até as carrancas do Rio São Francisco.

Não acredita no quanto o personagem tem de elementos brasileiros? Então convido você a ler as matérias e assistir aos videos que fizemos a respeito de TUDO do Blanka:

BLANKA – DOSSIÊ COMPLETO DO PERSONAGEM BRASILEIRO MAIS FAMOSO DA CULTURA POP!

BLANKA – DOSSIÊ PARTE 2: ORIGEM E CONCEITO DE CRIAÇÃO DO PERSONAGEM!

Trilha com o dossiê completo (em forma de videos) a respeito do personagem, que nós produzimos:

Para mais informações adicionais, visitem a nossa fan page no Facebook, dedicado a esse maravilhoso e divertido personagem: Blanka Brasil – Casa Blanka

https://www.facebook.com/casadoblanka


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-Altered Beast- Juuoki (Arcade da Sega): Um centurião romano (ou guerreiro grego) é ressuscitado por Zeus com a promessa de que ele não precisaria retornar para os Campos Elísios, caso derrotasse o vilão Neff (em algumas versões seria Hades) e resgatasse a deusa Athena (Perséfone em algumas versões). Para realizar as missões tão perigosas e ultrapassar legiões de monstros e mortos-vivos, o ressurrecto guerreiro ganha o poder zootropo de se converter em 5 feras-humanoides. Adquirindo assim o título de Juuouki (o ‘’Rei-Fera’’ ou ‘’Rei das Bestas’’ em japonês).

Mas, ao contrário de Lycaon, NÃO se trata de uma maldição e sim de uma benção para realizar a justiça divina.

Uma NOVA versão foi lançada para o PS2, mas, sem nenhum traço da mitologia do jogo original: ‘’Altered Beast Project’’ é voltado para explicações que envolvem experiências genéticas, no melhor estilo ‘’Ilha do Dr. Moreau misturado com Resident Evil’’. No lugar de um poder sobrenatural, se trata de um implante que mistura o DNA do hospedeiro com o de várias outras criaturas que fazem referência a mitologia. Tem até o DNA de uma criatura do nosso ‘’folclore atual’’: um organismo alien!!!

É um viés mais voltado para o terror e a kryptozoologia, do que a versão original!

Em ambas as versões acima, quantas e quais feras ele se transforma pode variar bastante. Existe o yeti elemental do gelo; o homem-águia garuda; tubarão com mente humana; minotauro de fogo; etc.

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-METAMORPHIC FORCE: Konami – 1993

Jogo de arcade estilo beat’em up da Konami. Pouco conhecido, mas muito divertido, este game apanha a ideia de ”Juuoki- Altered Beast” e evolui para um ”super sentai” composto por 4 guerreiros que receberam de Gaia o espírito e o poder de se transformar em homens-fera. São 4 espíritos\avatares guardiões encarnados em um quarteto: homem-pantera; minotauro; homem-urso; e lobisomem. Provavelmente influenciou um pouco o surgimento da franquia ‘Bloody Roar”.

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ESPERO QUE TENHAM GOSTADO. 😉 Esta, com certeza, é uma das maiores matérias sobre o gênero horror envolvendo cultura brasileira que já fiz. Algumas dessas informações NÃO se encontram com facilidade em livros e sites sobre mitologia e folclore brasileiros. Portanto, ajudem na divulgação!

Um forte abraço, fiquem com Deus e se divirtam no halloween.

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OUTRAS MATÉRIAS QUE VOCÊS PODEM ACHAR INTERESSANTES:

HALLOWEEN ESPECIAL:

– O MONSTRO DE FRANKENSTEIN: UM ENSAIO SOBRE A CRIATURA SEM NOME MAIS FAMOSA DA CULTURA POP! SAIBA AS DIFERENÇAS ENTE A VERSÃO ORIGINAL DOS LIVROS E A VERSÃO DA UNIVERSAL STUDIOS!

– GILL-MAN, O MONSTRO DA LAGOA NEGRA: CRIATURA CLÁSSICA DA UNIVERSAL STUDIOS, VEJA SUA HISTÓRIA, SUA ORIGEM BASEADA EM LENDAS BRASILEIRAS E COMO ELE INFLUENCIOU UM KAMEN RIDER BRASILEIRO E DOIS PERSONAGENS DOS JOGOS DE LUTA DA CAPCOM!

– DICAS DE FILMES E GAMES DE TERROR QUE VOCÊ PODE ASSISTIR OU BAIXAR ”DE GRAÇA” NO ”DIA DO SACI”: PARA VOCÊ QUE É POBRE (QUE NEM EU) E FICA COM DESCULPAS QUE NÃO TEM O QUE FAZER DURANTE O HALLOWEEN (OU QUALQUER OUTRO DIA) POR FALTA DE GRANA E SUGESTÕES!

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blanka logotipo e bandeira do brasil tatuada no ombo by superpascoal

BLANKA: DOSSÍÊ COMPLETO SOBRE O PERSONAGEM BRASILEIRO MAIS FAMOSO DOS VIDEOGAMES: E SE VOCÊ É UM DESSES QUE ACHA QUE ELE ”NÃO É BRASILEIRO E SÓ CAIU AQUI” OU QUE ELE ”NÃO É INTERESSANTE E NÃO NOS REPRESENTA” SE PREPARA PRA FAZER PAPEL DE IDIOTA OU REVER SEUS CONCEITOS. EIS AQUI UM DIGNO HERÓI-MONSTRO BEM BRASUCA!!!

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PARTE 1: O PERFIL COMPLETO DOS PODERES E GOLPES DO BLANKA, DESTRINCHADOS PRA QUALQUER UM ENTENDER QUEM É O PERSONAGEM DE FATO.

PARTE 2: O CONCEITO DE CRIAÇÃO COMPLETO DO BLANKA! COMO SURGIU A IDEIA DO BLANKA EM ”STREET FIGHTER 2”? POR QUE ELE É VERDE? POR QUE SE CHAMA  BLANKA? POR QUE ELE EMITE ELETRICIDADE? EM QUE PERSONAGENS ELE FOI INSPIRADO? POR QUE É COISA DE NOOB DIZER QUE ELE ”NÃO TEM NADA DE BRASILEIRO”? DESCUBRA AS RESPOSTAS AQUI! 😉

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